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Lula articula frente no G7 contra tarifas de Trump

Movimento é contenção de dano, não ofensiva — e revela perda de margem no bilateral

Lula articula frente no G7 contra tarifas de Trump
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Redação KADDABRA ·

Segundo o Vero Notícias, o presidente Lula planeja usar a cúpula do G7 na França, na próxima semana, para articular uma frente internacional contra as tarifas de 25% propostas pelos EUA a produtos brasileiros. A estratégia busca apoio europeu para pressionar Trump a recuar da sobretaxa, que o republicano justifica com alegações de trabalho forçado. Na pauta, também entram multilateralismo, cessar-fogo no Oriente Médio e acesso da carne brasileira ao mercado europeu. Um encontro bilateral direto entre Lula e Trump segue em negociação pela diplomacia brasileira, sem confirmação.

O movimento, no entanto, não é planejamento — é resposta. As tarifas foram anunciadas há semanas. A articulação agora, dias antes da viagem, revela que o Planalto reconhece que o jogo bilateral perdeu previsibilidade. Quando um ator sai do diálogo direto e convoca terceiros, está sinalizando margem de manobra encolhida. Coalizão defensiva é a aposta de Brasília para aumentar o custo político de manter a sobretaxa. O problema: Trump já demonstrou que ignora coalizões quando o benefício doméstico compensa — e a pauta do trabalho forçado soa bem eleitoralmente.

O dado mais relevante é o encontro bilateral ainda em negociação. Se Trump não concede reunião, Lula fica preso à coalizão — posição frágil. Se concede, a articulação europeia vira barganha paralela. O mecanismo não é novo: em 2019, governo anterior tentou coalizão similar contra a China na OMC. Funcionou até Trump mudar de prioridade. Coalizão defensiva tem validade de rodada, não de ciclo. A questão deixa de ser "vai conseguir derrubar a tarifa" e passa a ser "por quanto tempo sustenta a pressão multilateral sem ceder em algo que custa mais caro depois". Brasil não é grande demais para Trump ignorar. Não é pequeno demais para não sofrer. Fica no meio — onde coalizão é resposta, não garantia.