Lei da Ficha Limpa gera insegurança jurídica em ao menos seis estados para 2026
Enquanto Gilmar segura vista, candidatos negociam em posição fraca.
A corrida eleitoral de 2026 será marcada por indefinições legais em ao menos seis unidades da federação, conforme apurou a Folha de S.Paulo. O imbróglio centraliza-se em torno de uma ação no Supremo Tribunal Federal que questiona alterações recentes na Lei da Ficha Limpa. A análise foi suspensa por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, sem prazo para retomada.
Entre os pré-candidatos potencialmente afetados estão José Roberto Arruda, Deltan Dallagnol, Gladson Cameli, Valmir de Francisquinho e Antonio Denarium. A suspensão, porém, não é atraso processual — é calibração. Enquanto a decisão não sai, esses nomes negociam em posição fraca: sem saber se conseguirão rodar. Partidos tentam construir chapas sabendo que podem desabar. A assimetria de informação é poder.
Candidatos precisam consolidar máquinas e angariar apoio. Cada mês de incerteza corrói previsibilidade — e política funciona se conseguir prever. Quanto mais próximo de 2026, maior a pressão por sentença. O movimento real está no calendário: a incerteza é moeda de troca até outubro de 2025. Depois, não. A questão deixa de ser se o STF vai decidir. Passa a ser quando — e saber quando é tanto quanto saber o quê.