Judicialização entre Lula e Flávio quadruplica em cinco meses
Não é guerra de denúncias. É ocupação de tabuleiro.
Segundo levantamento do Estadão, o TSE recebeu 87 representações envolvendo Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entre janeiro e maio de 2024 — volume quatro vezes superior ao mesmo período de 2022 e equivalente a um terço de todas as ações daquele ano. PL lidera com 26 processos; PT vem logo atrás, com 21. Temas incluem propaganda antecipada, desinformação e uso de inteligência artificial.
O número impressiona. O mecanismo importa mais. PT e PL não estão denunciando infrações. Estão testando a capacidade do tribunal de absorver pressão. Ambos perceberam que a máquina judiciária se tornou mais previsível que a eleitoral tradicional — e mais permeável quando a norma é vaga. Propaganda irregular e IA dependem de interpretação do juiz, não de fato verificável. Quanto mais vaga a norma, maior o custo de defesa para quem é acionado. Flávio Bolsonaro não processa para vencer. Processa para radioativizar o ambiente — forçar o adversário a gastar capital político em resposta. PT replica com estratégia idêntica.
Estamos a 18 meses da eleição. Janela exata em que judicialização não derrota ninguém, mas condiciona tudo: fluxo de caixa de campanha, circulação de conteúdo, credibilidade de candidato. A próxima rodada não será sobre quem ganha processos. Será sobre qual dos dois consegue manter o tribunal como instrumento de governo, não como árbitro.