Janja chama Malafaia de 'insignificante' e reacende dúvida sobre estratégia evangélica
Resposta acerta no alvo. A pergunta é se o alvo importa.
Redação KADDABRA ·
Segundo o Vero Notícias, a primeira-dama Janja da Silva chamou o pastor Silas Malafaia de “insignificante” durante encontro nacional de evangélicos promovido pelo PT em Brasília. A fala foi resposta direta a uma declaração do pastor em 2025, quando minimizou reuniões de Janja com mulheres do segmento. O evento insere-se na agenda de aproximação do governo Lula com o eleitorado evangélico, grupo onde a desaprovação segue alta, segundo pesquisas internas.
Há consenso imediato de que Janja acertou ao rebater. O argumento, porém, depende de uma premissa: que o problema entre PT e evangélicos é de comunicação. Pesquisas qualitativas vazadas em 2024 mostravam rejeição doutrinária, não derivada de falas de pastores. A clivagem é anterior a Malafaia — e independe dele. Em 2010, Dilma fez acenos e venceu. Em 2014, repetiu o gesto e viu a rejeição no segmento crescer. A curva não respondeu a estímulos pontuais de comunicação. Respondeu a percepção acumulada de dissociação entre o discurso do partido e os valores do grupo.
A consequência de segunda ordem é sutil, mas real. A cada reação combativa direcionada a uma liderança evangélica, o PT reforça, para o eleitor do segmento, o estereótipo de confronto que o rejeita. Para quem vê a ofensa como agressão ao próprio campo religioso, o gesto de Janja é lido como confirmação de distanciamento. A pergunta que fica: se o problema é estrutural e não de comunicação, qual o plano B?