Itamaraty intensifica conversas com UE para reverter veto à carne brasileira
Veto é político. O risco é técnico.
Redação KADDABRA ·
Conforme apurou o PlatôBR, o governo Lula intensificou esforços para reverter o veto da União Europeia à compra de carne brasileira a partir de 3 de setembro. Na última sexta-feira, o ministro Mauro Vieira se reuniu em Paris com o comissário Maros Sefcovic. Em paralelo, o Ministério da Agricultura busca diálogo técnico com comitê da Comissão Europeia para resolver a exigência sobre uso de antimicrobianos.
Há consenso de que o veto é uma jogada protecionista de França e Polônia. Empresários do setor garantem que o Brasil cumpre todas as normas europeias. O argumento depende de uma premissa: que a exigência técnica é apenas um disfarce político. Se for, a diplomacia está no caminho certo. Mas a União Europeia foi clara: o Brasil foi excluído por "não ter apresentado as informações necessárias". A frase não diz que os documentos foram recusados. Diz que não foram enviados. Se a ausência for documental — e não de mérito —, o problema é de processo, não de protecionismo. E processo é algo que o Itamaraty controla, mas que até agora não detalhou publicamente.
A consequência de segunda ordem que ninguém persegue é o custo de transformar uma questão técnica em narrativa de complô. Se o Brasil perder prazo ou não reverter o veto, o setor exportador sente. E se descobrir que o atraso foi interno — um protocolo não seguido —, o desgaste terá sido em vão. A chave está nos documentos que o Ministério enviou e no que a UE afirma não ter recebido. Enquanto a diplomacia faz gestão política, alguém precisa checar o papel.