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Importações e acordo com UE pressionam indústria de lácteos

Proteger o produtor ou baratear o leite? O governo escolheu um lado.

Importações e acordo com UE pressionam indústria de lácteos
Foto: Reprodução / CNN Brasil

Segundo a CNN Brasil, o CEO da RAR Agro & Indústria, Angelo Sartor, afirma que o setor lácteo nacional enfrenta pressão crescente das importações, que já representam cerca de 8% do mercado doméstico. A situação se agravou após a confirmação de dumping no leite em pó argentino e uruguaio, prática que, de acordo com o executivo, não foi coibida pelo governo. Desde maio, a primeira etapa da redução tarifária do acordo Mercosul-UE entra em vigor — a alíquota para queijos duros caiu de 28% para 25,2%, com meta de zero em dez anos. Sartor estima que o produto europeu chegue ao Brasil com custo 20% inferior ao nacional.

A conta do setor é legítima — e o dumping é fato. O argumento, porém, depende de uma premissa: que proteger o produtor deve vir antes de baratear o preço para o consumidor. Dados do IBGE mostram que o preço do leite UHT subiu 11% em 12 meses até abril de 2025. Em um país onde o leite é item básico da cesta das famílias mais pobres, a escolha do governo não foi entre proteger a indústria ou não — foi entre proteger o produtor ou o consumidor de menor renda. O acordo também sinaliza previsibilidade: com tarifas caindo em prazo conhecido, a indústria pode planejar escala ou especialização. O risco real não é a concorrência europeia — é repetir o que aconteceu com a indústria têxtil nos anos 1990: perder mercado por não se adaptar.

Não há resposta fácil. A indústria pede proteção contra concorrência desleal. O consumidor pede preço justo. O governo escolheu um lado. A pergunta que falta responder é se, sem contrapartidas de eficiência, a proteção de hoje não será o atraso de amanhã.