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Ataque em Copacabana expõe ciclo de insegurança e deslocamento

Guardas empurram o problema. Mas para onde?

Ataque em Copacabana expõe ciclo de insegurança e deslocamento
Foto: Reprodução / Coisas da Política

Redação KADDABRA ·

Câmeras de segurança flagraram, no dia 13, o ataque de um homem em situação de rua contra uma idosa na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Segundo o portal Coisas da Política, o agressor foi detido pela Polícia Militar e liberado em seguida — sem justificativa pública.

O episódio não é isolado. Moradores relatam que a Guarda Municipal armada, em vez de reduzir o problema, o deslocou para bairros vizinhos. Em Botafogo, a presidente da Associação de Moradores, Regina Chiaradia, afirmou ao portal que as reclamações dispararam após as ações em Copacabana — áreas como entorno do Túnel Velho e hospitais viraram novos pontos críticos.

A crítica ao deslocamento é justa, mas depende de uma premissa frágil: que existe alternativa imediata. A prefeitura informa 8 mil pessoas em situação de rua na cidade. Levantamentos do CadÚnico, usados por pesquisadores da UFMG, apontam 22,5 mil — quase três vezes o número oficial. O déficit habitacional é de 200 mil moradias, segundo o IBGE. Não há abrigo que comporte esse volume sem gerar novo deslocamento em outra região. São Paulo mostrou o mesmo padrão na Cracolândia: o problema se move, não se dissolve.

O custo político de não agir em Copacabana era alto. Hoje, é baixo. A pergunta que falta não é "deslocar ou não". É: quantos anos de política habitacional são necessários para que deslocar deixe de ser a única opção?