Iata: América Latina tem maior carga tributária sobre passagens aéreas do mundo
29% de tributos na tarifa. O debate não é sobre o número — é sobre para onde vai o dinheiro.
Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), a América Latina e o Caribe registraram em 2024 a maior carga tributária do mundo sobre passagens aéreas — 29% do valor médio das tarifas, contra 15% da média global. O dado é real e comparável. A entidade, que representa 330 companhias aéreas, defende a redução da carga como caminho para ampliar demanda e investimentos.
O argumento depende de uma premissa que a Iata não testa publicamente: que a desoneração será repassada ao consumidor final. Não é o que a série histórica sugere. Em 2022, quando o Brasil reduziu o PIS/Cofins sobre o querosene de aviação, a promessa era de tarifas mais baixas. As companhias usaram o alívio para recompor margens pós-pandemia. Em setor oligopolizado, o benefício fiscal tende a ficar no operador, não no passageiro. Há ainda o custo que a narrativa ignora: em vários países da região, os tributos sobre aviação alimentam fundos específicos de modernização de terminais e segurança aérea. Reduzir a carga sem substituir a fonte significa aeroportos piores no médio prazo.
O relatório da Iata não detalha a composição por país nem prevê revisão para 2025. A questão deixa de ser se a carga é alta — é — e passa a ser para quem a redução realmente beneficiaria.