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Haddad diz que BC foi alertado sobre Banco Master desde 2024

Ministro opera blindagem dupla: para trás, em Campos Neto; para frente, em Galípolo.

Haddad diz que BC foi alertado sobre Banco Master desde 2024
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Segundo o Vero Notícias, em entrevista, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que tinha conhecimento de irregularidades no Banco Master desde 2024 e que levou as informações à Procuradoria-Geral da República. Haddad declarou que a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central foi alertada repetidamente, e que Gabriel Galípolo, ao assumir, encontrou processo administrativo em andamento. O ministro também negou ter recebido o empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco.

Haddad não está investigando o Banco Master. Está reposicionando o escândalo como herança administrativa. A operação é dupla: jogar a responsabilidade para trás (gestão Campos Neto, que teria ignorado alertas) e para frente (Galípolo, que já está resolvendo). Ao negar reunião com Vorcaro, Haddad corta a linha que liga a Fazenda ao caso. É calibragem de risco, não denúncia. O movimento cria distância e normaliza o passivo — gestão competente que herda, diagnostica e encaminha.

Há, no entanto, leitura que questiona a régua. A acusação de omissão supõe que o BC deveria agir com base em alerta político, não em rito regulatório. Em 2023, o Banco Master operava dentro dos limites formais. A regulação financeira brasileira é lenta por desenho — exige lastro documental e contraditório. O dado que falta para julgar leniência é a série de processos administrativos abertos em cada gestão. Sem ele, a acusação é narrativa, não fato. Se PGR e BC converterem o caso em processo administrativo rápido, o escândalo vira rotina. Ainda não se sabe se era leniência ou rito.