Haddad defende cooperação com EUA e critica Tarcísio
Discurso de campanha esbarra em resultados ambíguos de acordos anteriores
Segundo o Vero Notícias, Fernando Haddad afirmou que o Brasil deve cooperar com os Estados Unidos no combate ao crime organizado sem subordinar interesses nacionais. Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro citou a circulação de armas e a lavagem de dinheiro como frentes que exigem colaboração internacional. Também criticou Tarcísio de Freitas por não atuar em conjunto com a União na segurança pública.
A fala ocupa o centro confortável do debate: ninguém é contra cooperação internacional, e criticar o governador de São Paulo rende pontos políticos. O argumento depende, porém, de uma premissa raramente testada — a de que os acordos bilaterais de segurança com os EUA entregam o que prometem. Desde 2010, Brasil e EUA mantêm o Acordo de Cooperação em Matéria de Segurança (MOU). Em 2022, a CGU identificou que apenas 40% das ações previstas em um dos eixos tiveram relatórios de acompanhamento. O GAO americano apontou que programas similares na América Latina frequentemente falham por falta de compartilhamento de inteligência entre agências locais — exatamente o problema que Haddad atribui a Tarcísio.
A crítica ao governador também ignora que São Paulo já opera com a Polícia Federal e a Força Nacional em operações como a Escudo — que, segundo dados da SSP-SP, teve 70% das apreensões de armas em 2023 concentradas em ações conjuntas. Haddad defende mudanças constitucionais para fortalecer políticas públicas, mas não cita indicadores que permitam comparar o desempenho de SP com outros estados. O discurso pode estar correto na intenção. A história dos acordos bilaterais na América Latina, no entanto, mostra que muitos se tornam instrumentos de financiamento de burocracias, sem redução mensurável de criminalidade. A pergunta que a campanha evita: como garantir que uma nova rodada de cooperação não repita os gargalos das anteriores?