Haddad liga saída de empresas a Bolsonaro e Tarcísio
Discurso culpa agentes. Dados sugerem fenômeno estrutural.
O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que a transferência de empresas brasileiras para o Paraguai se intensificou durante a gestão de Jair Bolsonaro e na administração de Tarcísio de Freitas como ministro da Infraestrutura. A declaração foi feita em entrevista ao podcast 3 Irmãos, conforme apurou o Vero Notícias. Haddad defendeu que o Brasil adote modelo de desenvolvimento compatível com sua dimensão econômica, criticando a dependência de incentivos fiscais.
O argumento liga o fenômeno migratório a agentes políticos específicos. Mas o movimento do setor produtivo para o Paraguai não começou entre 2019 e 2022. Dados do MDIC mostram crescimento constante desde 2015, com aceleração em 2021 e 2022 que coincide com câmbio favorável e boom de commodities — não com mudança na política tributária brasileira. Além disso, o movimento mais documentado não é de empresas que 'deixaram o país', mas de abertura de filiais no Paraguai para exportar, mantendo operações no Brasil. É uma estratégia de competitividade externa, não fuga provocada por Tarcísio ou Bolsonaro.
A narrativa é eficaz para o eleitorado de Haddad. Como apuração, porém, a pergunta que fica é: o Paraguai atrai empresas por decisão de Bolsonaro e Tarcísio, ou por um regime tributário que existe há 50 anos e que nenhum governo enfrentou? A resposta está em aberto — e vale acompanhar os números oficiais de migração de CNPJ dos próximos anos, independentemente de quem vença a eleição.