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Governo vê pouca margem para negociar tarifa de 12,5% dos EUA sobre aço e alumínio

Tarifa global reduz espaço bilateral — e o Planalto aposta na fragmentação

Governo vê pouca margem para negociar tarifa de 12,5% dos EUA sobre aço e alumínio
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Segundo o Vero Notícias, a avaliação interna do Planalto é que o caráter global da tarifa adicional de 12,5% sobre aço e alumínio, anunciada pelos EUA, reduz as chances de o Brasil obter concessões específicas, apesar de ser referência internacional no combate ao trabalho escravo. A medida não se restringe ao Brasil — é movimento sistêmico, não barganha bilateral. Já sobre a tarifa de 25%, em investigação comercial focada no país, o governo vê mais espaço para diálogo, com novas rodadas previstas para os próximos dias.

O governo recalibrou a leitura. A diferença é operacional: tarifa global fecha porta para concessões porque, se Trump cede ao Brasil, outros países reclamam de discriminação. O custo político de ceder é maior que o benefício. Já a tarifa de 25% em investigação específica funciona em linguagem bilateral — procedimento comercial em que acordo é possível sem ferir a regra contra terceiros. O Planalto aposta na fragmentação: aceita perda na pauta global e concentra capital político na seletiva. É cálculo de preservação.

Há, no entanto, contraponto que o consenso ignora. A premissa de que negociação depende exclusivamente de concessões bilaterais pode ser verdade, mas a diplomacia brasileira já operou em assimetrias parecidas — como em 2018, quando conseguiu cotas diferenciadas mesmo em cenário hostil. Além disso, a equipe econômica de Bessent está mais inclinada a negociações setoriais, e a tarifa pode ser alavanca para acordos geopolíticos (China, Amazônia). Brasil tem ativos que outros países não oferecem. A margem é baixa, sim. Mas premissa não é conclusão. A próxima rodada de conversas setoriais dirá se o ciclo confirma o ceticismo ou repete o padrão de virar tarifa em moeda de troca.