Governo Lula vê tarifa americana menor que em 2025, mas reconhece dano a exportadores
Desta vez, o patamar é próximo ao de outros parceiros. A perda de competitividade relativa, menor.
O governo Lula reconhece que a alíquota de 25% recomendada pelo USTR sobre exportações brasileiras deve causar prejuízos a produtores, mas aponta uma diferença estrutural em relação ao tarifaço aplicado em 2025, conforme apurou a CNN Brasil. Na ocasião anterior, o Brasil ficou no topo dos países afetados, com tarifa de 50%, enquanto outros parceiros enfrentavam alíquotas a partir de 10%.
Desta vez, a tarifa de 25% não é vista como perda significativa de competitividade na comparação com o que pode ser imposto a outros países. Após a Suprema Corte derrubar o tarifaço inicial de Trump, o USTR concentrou esforços em investigações sob a Seção 301, com maior amparo legal e foco em práticas consideradas "injustas". Uma investigação já corria especificamente sobre o Brasil. Outra, porém, foi aberta contra mais 59 parceiros por suspeita de "trabalhos forçados", incluindo União Europeia, China, Argentina e Japão. A expectativa do governo brasileiro é que esse processo seja concluído no segundo semestre e imponha tarifas de patamar equivalente às principais economias.
A avaliação de negociadores é que, mantida a alíquota de 25%, não haveria perda tão grande de competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano na comparação com outros parceiros. O governo reconhece que as tarifas "machucam" os produtores, mas o diagnóstico é de dano relativo menor que no ciclo anterior. A próxima rodada é a conclusão da investigação sobre "trabalhos forçados". Até lá, a variável que define o jogo é o alinhamento tarifário entre os concorrentes.