Governo Lula descumpre meta de redução de filas do INSS e do BPC em 2025
Atraso de 254 dias não é acidente. É arquitetura de contenção.
Segundo o Estadão, o governo Lula não cumpriu em 2025 a meta de reduzir o prazo médio de concessão do BPC de 119 para 101 dias. O relatório de prestação de contas enviado ao TCU mostra que, em dezembro, o prazo médio chegou a 254 dias — mais que o dobro da meta e superior ao patamar de partida. A meta para aposentadorias e pensões também ficou abaixo do previsto.
O governo atribui o resultado a três fatores: mudanças nas regras de concessão, aumento da demanda e fraudes no INSS. A leitura pública é incompetência administrativa. A leitura de jogo é outra: o atraso funciona. Quando o governo diz que "mudanças nas regras" e "fraudes" explicam a fila, está traduzindo em burocrês o seguinte: endurecemos critérios, rejeitamos mais pedidos, fizemos a fila virar mecanismo de contenção. Fila crescente reduz demanda futura: quem espera 254 dias desiste, e quem desiste não entra nas contas orçamentárias.
O PPA estabelecia meta de 101 dias. O governo sabia que não cumpriria em janeiro de 2025 e continuou do mesmo jeito. A escolha foi feita: abandona-se a métrica, mantém-se o gasto contido. O custo político de falhar em meta administrativa é menor que o custo orçamentário de conceder 150 mil BPCs a mais por ano. O padrão se repete desde 2023: Lula promete expansão, Congresso corta orçamento, INSS vira válvula de contenção. O governo reporta ao TCU não como fracasso, mas como "desempenho dentro de restrições". TCU aceita porque a restrição se chama Teto de Gastos.
O verdadeiro jogo não é cumprir meta de dias. É transferir pressão: do Executivo para o beneficiário que desiste, do Orçamento para a fila, do governo para o TCU que terá que decidir se valida essa engenharia de contenção. Quem assina são os mais pobres — idosos e pessoas com deficiência esperando oito meses por R$ 664.