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Governo do Rio tenta recuperar R$ 1,4 bi do Banco Master

Não é resgate. É cirurgia em previdência, crédito e narrativa.

Governo do Rio tenta recuperar R$ 1,4 bi do Banco Master
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Redação KADDABRA ·

O governo do Estado do Rio de Janeiro iniciou medidas para recuperar R$ 1,4 bilhão de recursos do fundo de previdência dos servidores estaduais, o Rioprevidência, investidos no Banco Master. Segundo o governador em exercício, Ricardo Couto, foram adotadas medidas judiciais para tentar reaver parte dos quase R$ 3 bilhões aplicados pelo fundo no banco, alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Couto afirmou que a recuperação total é improvável — "algo em torno de 40% a 50%" —, mas não detalhou os instrumentos acionados nem o prazo.

O anúncio não é notícia de resgate. É notícia de tentativa. Enquanto a ação judicial tramita, o governo negocia em paralelo com o Ministério da Fazenda o uso de R$ 20 bilhões em créditos devidos pela Petrobras para abater a dívida fluminense no Propag. São três movimentos simultâneos no tabuleiro: recuperação judicial, renegociação fiscal e investigação que mantém o ex-governador Cláudio Castro no centro da apuração. Não é confusão. É estratégia de múltiplas rodadas. A investigação dá cobertura política ao governo atual para dizer "herdei este estrago" — mas, se apontar responsabilidade de quem está no comando, a narrativa vira arma.

O real arranjo está na reorganização de passivos. O governo tenta transformar crédito da Petrobras em abatimento da dívida com a União. A Fazenda aceitou dialogar sobre a arquitetura, não sobre o resultado. O cronograma é o verdadeiro indicador: a adesão ao Propag tem prazo, o resgate judicial também, a investigação não. Quem controla o timing, controla o desfecho. Rio negocia sob pressão fiscal. A cirurgia segue.