📨 Em breve: a newsletter semanal do kdb
kdbnoticias

Governo adia alíquotas do Imposto Seletivo para depois das eleições

Adiamento parece manobra eleitoral. Pode ser também calibragem necessária.

Governo adia alíquotas do Imposto Seletivo para depois das eleições
Foto: Reprodução / Coisas da Política

A equipe econômica comunicou a aliados no Congresso que a definição das alíquotas do Imposto Seletivo ficará para depois das eleições municipais. O tributo — que incidirá sobre cerveja, refrigerante, ultraprocessados, petróleo e apostas — está previsto para 2027, condicionado à aprovação de lei complementar ainda em 2024.

A leitura dominante é clara: o governo empurra o desgaste para frente, com o eleitor pagando a conta depois da urna. É um roteiro conhecido. Mas essa leitura depende de uma premissa forte — que as alíquotas já estão prontas e o governo apenas as esconde. Reformas tributárias complexas, no Brasil, têm histórico de calibragem demorada. A Lei Kandir (1996) levou anos para regulamentação completa. A reforma do ICMS (2015) teve alíquotas provisórias por quatro anos. Definir imposto seletivo não é chutar número: envolve simular impacto setorial, cruzar com arrecadação esperada e negociar com lobbies que vão da indústria de bebidas à de alimentos.

Há precedente verificável: em 2019, quando o IPI sobre bebidas alcoólicas subiu, o consumo de produtos contrabandeados cresceu 12% no ano seguinte. Errar a alíquota pode estimular o mercado ilegal — custo econômico maior que o custo político de adiar. O risco oposto existe: se o governo apressar e errar, o desgaste será permanente. A questão, agora, não é se o adiamento é conveniente. É se o governo apresentará as alíquotas em novembro. Se sim, o argumento da manobra cai. Se protelar para 2025, ganha força.