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Gleisi defende Freitas e politiza processo disciplinar na ALEP

Agressão política ou rito regimental? A pergunta que o discurso não responde.

Gleisi defende Freitas e politiza processo disciplinar na ALEP
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Conforme apurou a Vero Notícias, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) classificou como “agressão política sem precedentes” a possível cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT-PR). A declaração foi feita em ato público em Curitiba neste sábado (6). Freitas responde a processo no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná por envolvimento em uma confusão nas ruas da capital.

A leitura dominante entre aliados conecta o processo disciplinar a um ataque contra grupos excluídos e ao voto popular. É uma narrativa com lastro real — a história de perseguições políticas no Brasil sustenta a suspeita. O argumento, no entanto, depende de uma premissa: que a conduta pessoal do parlamentar é irrelevante frente ao contexto partidário. Não é necessariamente falsa, mas enfrenta um problema de precedente. Em 2022, a mesma ALEP cassou o mandato do deputado Delegado Fernando Martins por quebra de decoro, em decisão lida como aplicação regimental, não como perseguição. O rito era o mesmo. A base, diferente.

A questão não é negar que política permeia o Conselho de Ética — isso seria ingênuo. A pergunta é: a conduta descrita nos autos seria suficiente para cassar um deputado de situação? Se sim, o processo não é anômalo — é o rito funcionando. Se não, a tese de agressão política ganha força. Enquanto essa comparação não for feita com transparência, o debate flutua em dois planos que não se tocam: o do mandato como símbolo e o do regimento como norma.