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Garimpos fantasmas 'lavam' ouro ilegal na Amazônia

Falha não é desconhecimento. É inação de rito fiscalizatório.

Garimpos fantasmas 'lavam' ouro ilegal na Amazônia
Foto: Reprodução / CNN Brasil

Segundo estudo do Greenpeace Brasil, 98 garimpos fantasmas — registros de permissão de lavra sem atividade real — foram usados para legalizar 25,3 toneladas de ouro extraído ilegalmente na Amazônia entre 2018 e março de 2026, o equivalente a R$ 18,4 bilhões. O esquema foi detectado por satélite: uma PLG de 1 hectare em Itaituba (PA), por exemplo, declarou 776 kg de ouro sem qualquer sinal de escavação no solo.

O estudo é preciso na metodologia. O que chama de 'descoberta' é, na verdade, a formalização de um padrão já conhecido — a Polícia Federal mirou o mesmo mecanismo na Operação Ouro Podre em 2023, e a ANM tentou conter com a Portaria 154 em 2021. O dado novo é a escala. A pergunta que o relatório não responde é: por que o rito fiscalizatório permitiu que o mesmo padrão se repetisse por cinco anos sem ajuste? A resposta está na arquitetura do sistema — ANM, Receita Federal e Ibama compartilham dados, mas não integram alertas. Uma PLG que declara 700 kg de ouro em área de 1 hectare não aciona gatilho automatizado. Exigiria investimento em interoperabilidade que não consta nos orçamentos de 2026.

O mérito do estudo é dimensionar a fraude com lastro. O problema não é que o mecanismo era desconhecido. É que o Estado sabia e não agiu na velocidade necessária. A questão deixa de ser 'como coibir garimpos fantasmas' e passa a ser 'quanto tempo o sistema vai tolerar o mesmo padrão sem se recalibrar'.