Fórum de servidores convoca ato por 'faxina geral' no RJ
Apoio aos cortes de comissionados. Cobrança por recomposição. Rombo não aparece no manifesto.
Redação KADDABRA ·
Segundo o Brasil de Fato, o Fórum Permanente dos Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Fosperj) convocou ato público para esta terça-feira (9), às 14h, em frente ao Tribunal de Justiça. A mobilização intitulada 'Faxina Geral no Estado' reivindica recomposição salarial de 2023 a 2025 e fim da desigualdade entre categorias. O Fosperj, que reúne mais de 50 entidades, apoia as exonerações conduzidas pelo governador interino Ricardo Couto, mas defende que a economia gerada seja revertida em infraestrutura e valorização do funcionalismo.
A leitura do Fórum sobre o momento é precisa. Pela primeira vez em anos, o Executivo fluminense não é operado por um político profissional com base na Alerj — e as exonerações de comissionados são reais, feitas sem o filtro habitual das emendas. O argumento, no entanto, depende de uma premissa que o manifesto não enfrenta: que a economia com os cortes será suficiente para bancar as três recomposições salariais e os investimentos cobrados. O Rio carrega dívida consolidada superior a R$ 180 bilhões e opera sob Regime de Recuperação Fiscal. Em 2021, o TCE já apontava gasto com pessoal acima do teto da LRF, antes mesmo dos escândalos.
A consequência de segunda ordem é que, ao condicionar o apoio à faxina à contrapartida financeira imediata, os servidores podem criar uma armadilha. Se a economia não encaixar — e o histórico da intervenção de 2017 sugere que sim —, o governador terá dois caminhos: cortar serviços ou recorrer à austeridade do RRF. Em ambos, o servidor perde. A questão não é se a demanda é justa. É se o estado tem estrutura fiscal para atendê-la.