📨 Em breve: a newsletter semanal do kdb
kdbnoticias

Flávio volta a criticar STF e associa governo a facções

Ataque não é sobre o STF. É sobre o custo da narrativa.

Flávio volta a criticar STF e associa governo a facções
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Redação KADDABRA ·

Segundo o Vero Notícias, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal nesta quinta, em evento em São Paulo. Durante o discurso, o pré-candidato à Presidência associou o presidente Lula e o ministro Flávio Dino a áreas dominadas por facções criminosas e elogiou a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

O ataque não é novo na forma, mas no ângulo. Flávio não critica decisões pontuais da Corte — monta acusação sistêmica: o STF produz insegurança jurídica porque, em sua leitura, protege estruturas vinculadas ao crime. A passagem de "juiz ativista" para "cúmplice" é deslocamento grave no tabuleiro. O elogio à classificação americana funciona como blindagem: se o governo não fizer o mesmo, Flávio dirá que Lula protege o crime; se fizer, dirá que estava certo. É montagem que força o adversário a responder em terreno alheio.

Há, no entanto, leitura que questiona se o gesto não é também indicador de fragilidade. Desde 2023, o STF consolidou posição mais reativa a ataques — com multas e inquéritos que tornaram o confronto direto mais caro. O próprio Flávio, em 2021, já foi alvo de investigações que limitaram sua margem. Atacar a Corte hoje não é o mesmo que atacar em 2019. Se ele precisa reavivar a briga com o Judiciário após semanas focando o governo, isso sugere menos um plano estruturado do que uma tentativa de reposicionamento — quem perdeu previsibilidade tática tenta recuperá-la com ruído.

A questão deixa de ser se a acusação tem lastro. Passa a ser se o formato ainda rende. Se o confronto direto perder potência — e os sinais de fadiga aparecem em zonas de baixa adesão a protestos recentes —, o bolsonarismo precisará de um novo mecanismo de coesão. A próxima rodada é a oficialização da candidatura. Até lá, o atalho retórico funciona. Mas o custo de fricção subiu.