Flávio pede suspeição de Moraes; vínculo com Banco Master é o argumento
Não é defesa. É ocupação — o jogo sai do mérito e vai para o procedimento.
Segundo a Revista Oeste, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou pedido no STF para declarar Alexandre de Moraes suspeito em processos que envolvam o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master. A solicitação ocorre após Moraes encaminhar à PGR um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) para apurar supostas relações entre Flávio e Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. A defesa alega que pagamentos de R$ 80 milhões do Master ao escritório de Viviane Barci, mulher do ministro, comprometem a imparcialidade; Moraes nega contato sobre o caso, e Viviane afirma que o escritório nunca atuou em causas do banco no tribunal.
O pedido não é defesa. É movimento de ocupação. Flávio não disputa o mérito — vínculo com Vorcaro, financiamento, mensagens — porque nesse terreno a investigação federal é máquina que ele não controla. Em vez disso, desloca o jogo para o procedimento: discute se o juiz pode decidir, não se o ato ocorreu. Se a suspeição prosperar, blinda aliados e reposiciona poder no tribunal. Se fracassar, a narrativa de perseguição alimenta a pré-candidatura de 2026. O cálculo funciona nas duas direções — vitória material ou retórica. O problema é que o direito processual penal exige demonstração de parcialidade concreta, não indício de proximidade. A jurisprudência do STF tem barra alta para afastar o relator, e o histórico recente — Lava Jato, pedidos contra Moro — mostra que contrato empresarial com cônjuge não costuma bastar. A tese vende enquanto não é testada.
O tabuleiro agora opera em duas frentes: Moraes ativa a PGR para expandir investigações; Flávio responde questionando a legitimidade do juiz. A próxima rodada testa a coesão da corte — quantos ministros estão dispostos a desconfortar Moraes. Não é sobre Flávio ou Moraes. É sobre quem consegue sustentar atrito dentro do tribunal sem perder coalização. E o teste vem em pleno ano eleitoral.