Flávio pede que Mendonça, não Moraes, analise caso Banco Master
Pedido de redistribuição é artigo 254. O jogo é outro.
Segundo a CNN, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou no STF pedido para que o ministro André Mendonça, e não Alexandre de Moraes, analise requerimento relacionado ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. A defesa argumenta que processos sobre a instituição já estão sob relatoria de Mendonça e questiona a imparcialidade de Moraes. O pedido ocorre após o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitar a inclusão de Flávio e Jair Bolsonaro em apuração sobre financiamento de filme.
O movimento não é processual. É reposicionamento em tabuleiro onde a escolha do relator define margens de manobra. Mendonça é variável calibrada: não constrói narrativa pública de enfrentamento, aceita compromissos institucionais sem dramatizar. Para a defesa de Flávio, é território menos radioativo que Moraes, relator de inquéritos que miram bolsonaristas. O gatilho real é Lindbergh: o deputado pressiona, Flávio se antecipa, oferecendo ao STF uma saída que parece técnica — redistribuição — mas é manobra para ganhar previsibilidade antes que a investigação seja ampliada.
A tese de suspeição não é nova. O artigo 254 do CPP existe, e o instrumento é corriqueiro, mesmo que a chance de acolhimento seja baixa — historicamente, pedidos desse tipo contra ministros do STF têm sido mais usados como estratégia de comunicação do que como recurso eficaz. O que a defesa busca não é imparcialidade abstrata. É um relator cujo histórico de decisões ofereça menor risco de linha investigativa ampla. A imparcialidade é o argumento. A previsibilidade é o objetivo.
Ainda não há decisão sobre a redistribuição. A próxima rodada testa se o STF aceita a lógica de troca de relator sob pressão ou se rejeita o precedente.