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Flávio Bolsonaro diz ter enviado carta a Rubio contra tarifas dos EUA

Briga não é sobre tarifa. É sobre quem narra o desfecho primeiro.

Flávio Bolsonaro diz ter enviado carta a Rubio contra tarifas dos EUA
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Conforme apurou o Vero Notícias, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter enviado uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o país não imponha tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita durante agenda em Minas Gerais. Flávio atribuiu a ameaça de taxação à política externa do governo Lula.

A declaração ampliou o embate narrativo entre governo e oposição. De um lado, o senador diz ter agido para proteger o Brasil. Do outro, Lula sugere que a aproximação de Flávio com Trump pode ter provocado a ameaça. Ambos partem da mesma premissa: que a ação individual de um parlamentar brasileiro tem peso real na política tarifária americana. A premissa merece escrutínio. Desde 1934, decisões de comércio exterior nos EUA passam pelo USTR, Congresso e lobbies setoriais. O peso de uma carta de senador estrangeiro é marginal nessa engenharia institucional.

Há precedente que calibra o ceticismo. Em 2019, senadores americanos pediram tarifas sobre aço brasileiro — o pedido não prosperou por cálculo de oferta global, não por lobby brasileiro. Em 2022, o próprio Lula escreveu a Joe Biden sobre o mesmo tema, também sem efeito direto. O que define tarifa nos EUA é custo político doméstico e pressão de cadeias produtivas, não interlocução bilateral. A pergunta real não é quem influenciou o quê. É quem consegue capitalizar o desfecho.