Flávio Bolsonaro cai 10 pontos no Sudeste e acende alerta na direita
Queda não é sobre o candidato. É sobre a função que ele perdeu.
Segundo o Estadão, o senador Flávio Bolsonaro (PL) registrou queda de 10,5 pontos percentuais nas intenções de voto na Região Sudeste entre abril e maio — de 41,2% para 30,7%, conforme comparação das pesquisas Atlas/Bloomberg. A informação, publicada pelo Vero Notícias, acendeu alerta entre lideranças do campo bolsonarista.
A região concentra os maiores colégios eleitorais do país e é o principal reduto da família Bolsonaro. A pergunta, no entanto, não é por que Flávio caiu. É por que caiu agora, nessa velocidade, onde era território. A leitura interna é que o eleitor bolsonarista que votaria 'em qualquer Bolsonaro' já não está disponível — ou foi capturado por outra oferta ou migrou. O eleitor moderado, que Flávio tentava atrair, passou a ver a candidatura como passivo, não como oportunidade.
O alerta entre palanques da direita não é altruísmo. É cálculo de preservação. Se a máquina que operava São Paulo, Minas e Rio perdeu capacidade de arrasto, muda o preço da aliança em 2026 para presidente, governador e o que vier depois. Um operador que não agrega deixa de ser aliado e vira passivo.
Há, no entanto, leitura que pondera a solidez do movimento. Pesquisas mensais em pré-campanha são voláteis — a queda de maio pode ser ruído conjuntural, não tendência. Sem ao menos três rodadas consecutivas com o mesmo padrão, o dado é ponto fora da curva. Em 2022, oscilações de 8 pontos em candidatos ao Senado em São Paulo não se confirmaram nas urnas.
A próxima rodada da Atlas/Bloomberg testa se a queda se repete ou se foi desvio. O que define o jogo não é o número de maio. É o que a direita fará com ele.