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Flávio atribui a Lula entrave com EUA; precedente contradiz

Senador ocupa espaço que governo não ocupa. Mas tarifas não dependem de tom.

Flávio atribui a Lula entrave com EUA; precedente contradiz
Foto: Reprodução / Vero Notícias

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em vídeo nas redes sociais, que o presidente Lula prejudica as negociações com os Estados Unidos ao elevar o tom contra autoridades americanas. De acordo com o Vero Notícias, Flávio disse que trabalha para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros, destacando encontros com Donald Trump e Marco Rubio, e enviou carta ao governo americano pedindo revisão da medida.

O argumento do senador virou lugar-comum na oposição: Lula, com retórica assertiva, estaria queimando pontes. Funciona bem em rede social. Mas depende de uma premissa testável — que a política tarifária americana responde ao tom diplomático do interlocutor. Em 2018, Trump impôs tarifas de 25% sobre aço e 10% sobre alumínio vindos do Brasil, Canadá e União Europeia. Michel Temer presidia o país, com relação institucional e sem arestas retóricas. Não importou. O mecanismo foi proteção comercial americana, independente de adesão política.

A segunda camada do jogo, no entanto, é mais sutil. Flávio ocupa um espaço de interlocução que o governo Lula, por cálculo ou limitação, não ocupa com a mesma intensidade. Reuniu-se com Trump e Rubio, escreveu carta. Há operação política em curso. A pergunta não é se Lula atrapalha. É se essa atuação paralela do Senado fortalece ou fragmenta a capacidade de negociação do Brasil como Estado. Até o próximo movimento de Washington, o teste disponível sugere que o tom não é a variável decisiva.