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Ex-presidente do BRB prepara delação que pode citar Ibaneis

Troca de defesa duas vezes não é refinamento. É rearranjo de proteção.

Ex-presidente do BRB prepara delação que pode citar Ibaneis
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Segundo a Vero Notícias, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sinalizou à Polícia Federal que pretende apresentar um esboço de delação premiada nos próximos dias. O material deve trazer novas informações sobre a compra de ativos do Banco Master pelo banco público — investigação que suspeita de pagamento de propina de R$ 150 milhões. Paulo Henrique está preso e trocou de advogados duas vezes antes de buscar o acordo.

A troca de defesa não é sintoma de refinamento processual. É sintoma de abandono. Quando um operador percorre dois escritórios em poucos meses, a leitura é clara: quem pagava a conta perdeu poder de negociar. A mudança de silêncio para colaboração indica que a blindagem do ex-presidente desabou. O timing reforça — a PF não moveu o caso nos últimos meses. A pressão veio de dentro do sistema, não de fora.

Ibaneis Rocha aparece como cabeça de lista na delação em preparação. Não por acaso. O ex-governador perdeu o cargo, perdeu base na Câmara Distrital e não tem vínculo com blocos federais de poder. Um ator isolado no tabuleiro é moeda de troca segura — a PF sabe que entregá-lo não tira ninguém do poder hoje. É histórico, não corrente. Paulo Henrique pode citar Ibaneis sem retaliação sistêmica porque o custo de proteger o ex-governador supera o de abandoná-lo.

A próxima rodada testa se há nomes além de Ibaneis na delação. Se houver operador ainda em exercício, a negociação muda de natureza — Paulo Henrique precisaria barganhar silêncio sobre ele, o que abre porta para troca com o poder atual. Se for só o ex-governador e autoridades fora da centralidade, é delação de limpeza: cooperação por redução de pena, e o sistema segue operando com os mesmos operadores.