EUA propõem tarifa de 12,5% ao Brasil em investigação comercial
Medida soma-se a tarifa de 25% e atinge mais 58 países. O jogo é de comércio, não de trabalho.
Conforme apurou o Estadão, o governo dos EUA propôs nesta terça-feira (2) a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, como parte de investigação comercial sobre combate ao trabalho forçado. A medida, apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), também alcança União Europeia e outros 58 países. A nova cobrança soma-se à tarifa de 25% anunciada na segunda-feira (1º), em escopo ainda não detalhado.
O USTR alega que Brasil, UE e os demais países não aplicam de forma eficaz proibições à importação de bens produzidos com trabalho escravo, o que, segundo o órgão, "onera ou restringe" o comércio norte-americano. A investigação é de natureza comercial, não trabalhista — a tarifa é o instrumento, não a acusação. O Brasil, por nota do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que buscará esclarecimentos técnicos. A UE classificou a proposta como "desproporcional".
A tarifa de 12,5% não é uma conclusão. É uma rodada. O próximo passo formal é a abertura de prazo para manifestação dos países afetados. Até lá, o custo para o Brasil é de negociação, não de comércio interrompido. A pergunta não é se a medida será mantida. É quanto ela cede quando houver resposta coordenada.