📨 Em breve: a newsletter semanal do kdb
kdbnoticias

EUA classificam PCC e CV como terroristas; medida entra em vigor

Não é sobre segurança pública. É sobre quem ocupa o lugar de garantidor no próximo ciclo.

EUA classificam PCC e CV como terroristas; medida entra em vigor
Foto: Reprodução / Brasil de Fato

Entra em vigor nesta sexta-feira (5) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Conforme reportagem do Brasil de Fato, o anúncio foi feito em maio pelo secretário de Estado Marco Rubio e amplia o poder dos EUA para congelar bens, aplicar sanções financeiras e restringir transações de pessoas e empresas ligadas aos grupos. A medida não altera o enquadramento jurídico das facções no Brasil, mas seu alcance prático é maior do que parece: grande parte das transações internacionais passa pelo sistema bancário americano, e instituições financeiras brasileiras ficam sob risco de sanção se houver qualquer ligação alegada com as facções.

O governo brasileiro, pela voz do ministro da Fazenda Dario Durigan, reconheceu o jogo. Ele classificou a iniciativa como 'forçação de barra' e alertou que a medida pode abrir espaço para pressões políticas. O professor Gilberto Maringoni foi além: chamou a classificação de 'primeira interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras', citando os encontros do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Trump e Rubio dias antes do anúncio. É leitura que se sustenta no timing, mas depende de uma premissa: a de que a designação exige atentado prévio contra solo americano. A legislação dos EUA, no entanto, permite classificar grupos transnacionais de narcotráfico como terroristas — mesmo precedente usado contra as FARC, o Cartel de Sinaloa e o Hezbollah. O instrumento já existia para cortar fluxos financeiros. O que muda agora é o alvo e o contexto eleitoral.

O movimento de Washington não é despretensioso. Não há vitória legislativa ou feito comprovado de Flávio Bolsonaro contra o crime organizado — mas ele sai de sua visita aos EUA com validação geopolítica: Trump e Rubio sinalizaram que ajudaram. A narrativa que circula em seu núcleo é simples: enquanto o PT não consegue combater a criminalidade, Washington reconheceu seu empenho. É politicamente eficaz, especialmente para um candidato que precisa recuperar espaço após revelações sobre o Banco Master. A pergunta agora não é se a medida é arbitrária. É quem vai ocupar o espaço de garantidor nos próximos meses — e se o sistema bancário brasileiro será o palco dessa disputa.