Esforço concentrado do Senado testa Alcolumbre e relação com Planalto
Senado vota Benedito Gonçalves. Semana mede articulação, não pauta.
Redação KADDABRA ·
Segundo a CNN Brasil, o Senado retoma com esforço concentrado a votação de Benedito Gonçalves ao CNJ — indicação aprovada na CCJ em maio, mas adiada por falta de quórum avaliada por Davi Alcolumbre (União-AP). Dos 67 senadores presentes na ocasião, apenas 59 votaram. O presidente da Casa cancelou a sessão por diagnóstico de insuficiência. Esta semana, o teste é de confirmação: quantos vêm? E quantos votam?
A retomada não é procedimento. É rodada de calibragem. Alcolumbre convoca o esforço concentrado para medir mobilização — sinal de que ainda detém previsibilidade como articulador ou começa a perder função. A relação com o Planalto está tensionada desde a rejeição de Jorge Messias ao STF. Nesta semana, o jogo é de posição: se o Senado aprovar Gonçalves com votação maciça, Alcolumbre mostra que ainda opera o centro. Se o quórum desidratar, o operador perde força.
Na Câmara, a CCJ analisa a PEC da maioridade penal — marcador de bloco, não de política pública. A oposição empurra, a base do governo barra. O texto não chega ao mérito: verifica músculo de plenário. Já o PL dos combustíveis, pendente desde a semana anterior, revela tensão entre Tesouro, BC e Fazenda sob álibi do Oriente Médio. O governo tenta emplacar solução fiscal; se passar, ganha. Se cair, ninguém quer o crédito.
A PEC 6x1 no Senado é a manobra de sobrevivência de Alcolumbre: promete prioridade, recua com ajustes, mantém-se no centro sem escolher lado. O governo quer votação rápida por ativo eleitoral. Alcolumbre quer devagar porque devagar é poder. A semana não testa pautas. Testa quem cedeu no conflito com o Palácio. Se a pauta sair no ritmo do Planalto, Alcolumbre perdeu centralidade. Se brecar, cedeu pouco.