Escola de agroecologia da Rede Livres é inaugurada em Valinhos
R$ 50 milhões de fundo sindical viram escola. O desafio é escala.
Segundo o Brasil de Fato, a Escola da Terra Rede Livres é inaugurada neste sábado (6) em Valinhos (SP). Fruto de iniciativa do Sindicato dos Químicos Unificados, o projeto forma agricultores em agroecologia e economia solidária. O espaço surge de um fundo vitalício de R$ 50 milhões, originado de ação trabalhista contra a Shell por contaminação em Paulínia.
A escola oferece turmas de no máximo 30 alunos, com hospedagem e alimentação garantidas. A Rede Livres começou após o sindicato fechar uma unidade da Shell onde houve contaminação por pesticida entre 2000 e 2003. Do fundo, decidiu-se financiar uma cadeia alternativa ao agronegócio.
O argumento de que o modelo pode reduzir o espaço do agronegócio, no entanto, depende de escala. Dados do IBGE mostram que a agricultura familiar responde por 23% do valor bruto da produção agropecuária — e, dentro dela, apenas fração é agroecológica. Projetos semelhantes, como a Rede Ecovida, existem há mais de duas décadas e construíram circuitos locais relevantes, mas não alteraram a estrutura de produção de commodities como soja e milho.
A variável crítica será o preço final dos produtos e o número de agricultores que migram efetivamente para o modelo. Sem esses dados, a tese da alternativa permanece generosa, mas não testada.