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Erika Hilton defende escala 6×1 e papel de travesti preta na articulação parlamentar

Discurso na Parada valida arranjo já fechado. O custo da conta ainda não foi apresentado.

Erika Hilton defende escala 6×1 e papel de travesti preta na articulação parlamentar
Foto: Reprodução / Diário Carioca Política

Segundo o Diário Carioca Política, a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) usou o palco da 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo para defender a Proposta de Emenda à Constituição que reduz a escala 6×1. A fala na Avenida Paulista, em 2 de junho, teve como eixo a tese de que a representatividade de corpos trans e travestis na política produz mudanças materiais. Hilton é relatora da PEC na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

A deputada não conquistou a redução porque discursou na Parada. Conquistou porque operou dentro do sistema — ocupou a função de articuladora em Comissões, construiu coalizão e traduziu demanda de rua em proposição institucional. O discurso é validação pública de um arranjo já fechado. A pauta 6×1 toca trabalhador conservador, evangélico, formal. É transversal. Quem trabalha 6×1 não se divide por ideologia. A próxima rodada testa se Hilton consegue sustentar o tema quando a pressão de rua cair.

Há consenso de que a redução é uma pauta necessária. O argumento depende de uma premissa forte: que a medida não gera perda de produtividade nem desemprego. Pequenas e médias empresas operam com margem líquida entre 2% e 5%. Dados do IBGE mostram que 67% dos trabalhadores em escala 6×1 estão em estabelecimentos com até 10 funcionários. A experiência francesa com a redução para 35 horas mostrou que, sem ganhos de produtividade, o desemprego subiu em setores de baixa qualificação. O Ministério do Trabalho não divulgou estudos setoriais sobre a proposta. O silêncio dos dados é um dado. A questão deixa de ser 'se a pauta é justa' e passa a ser 'se o custo de implementação recairá sobre quem já está na borda'.