Erika Hilton une PEC 6×1 e representatividade na Parada LGBT
Discurso celebra vitória identitária. Mérito técnico espera na fila.
Segundo o Vero Notícias, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) discursou neste domingo na 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo e vinculou o avanço da PEC que reduz a jornada 6×1 à representatividade de travestis e negros. A proposta, protocolada em 2024 e com assinaturas suficientes desde janeiro, aguarda comissão especial na Câmara.
A fala de Hilton é precisa como imagem e como afirmação de presença. O argumento, no entanto, repousa sobre uma premissa que pode esconder o motor real da proposta. A redução da jornada ganhou tração a partir de 2023, quando pesquisas Datafolha e Quaest mostraram apoio transversal de mais de 70% dos brasileiros — independentemente de partido ou orientação sexual. O movimento sindical, com centrais como Força Sindical e CUT, empurrou o tema com estudos de produtividade, não com bandeiras identitárias. Antes de 2023, a pauta foi discutida em 2015, 2017 e 2019, sempre sem força. O que mudou foi o cálculo econômico: automação e inteligência artificial tornaram a escala 6×1 menos eficiente, até para empresários do setor.
A questão deixa de ser se a pauta avança por mérito técnico ou por protagonismo identitário — provavelmente, por ambos. O teste simples vem depois: se a proposta sobreviver sem o nome de Hilton à frente, o motor é econômico. Se morrer quando ela for atacada, o motor é simbólico. Vale acompanhar qual cede primeiro.