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Dino derruba veto a bordão, mas mantém retirada de vídeos

Censura prévia cai. Conteúdo queima. O jogo é calibragem, não recuo.

Dino derruba veto a bordão, mas mantém retirada de vídeos
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Segundo a CNN, o ministro Flávio Dino, do STF, decidiu nesta semana derrubar a proibição do uso do bordão “Nunca será” em críticas ao ex-prefeito de Manaus David Almeida, mas manteve a retirada de vídeos publicados pelo vereador Alexandre Salazar (PL). Dino afirmou que impedir previamente a expressão configura censura. Os vídeos, avaliou, extrapolaram os limites da crítica política.

A decisão não é recuo. É engenharia. Dino enfrentava um dilema: censurar uma expressão genérica queima capital político; deixar propaganda antecipada no ar alimenta crítica de omissão. A saída foi dividir o produto. O bordão permanece como ferramenta retórica — Salazar pode usá-lo em novo conteúdo. Mas os vídeos que circularam, com ofensas diretas e referências eleitorais, saem do ar. O dano já foi feito. A expressão, não.

O movimento atende três funções simultâneas: Dino se posiciona como defensor da liberdade de expressão, responde ao ex-prefeito Almeida com a retirada dos vídeos e evita que a proibição prévia se fixe como precedente. Para Salazar, o saldo é negativo — perde a plataforma, fica com a frase desgastada. A próxima rodada testará se ele consegue contornar com novo conteúdo. O precedente que fica é claro: bordões podem, contexto importa, propaganda antecipada queima.