Deputados governistas pedem investigação de Flávio Bolsonaro nos EUA
Viagem a Washington não é diplomacia. É campanha com passaporte.
Segundo o Poder360, quatro deputados governistas estiveram em Washington nesta semana para pedir que autoridades norte-americanas investiguem o senador Flávio Bolsonaro (PL) por lavagem de dinheiro. A delegação, liderada por Pedro Uczai (PT-SC), também atribuiu ao pré-candidato bolsonarista a responsabilidade pelas tarifas impostas pelos EUA ao Brasil. O pedido foi apresentado ao gabinete do senador Bernie Sanders (Partido Democrata) e mira valores enviados ao país por Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse".
O gesto tem precisão de timing. O PT deixa de negociar nos bastidores e muda para ofensiva aberta contra Flávio, atrelando-o às tarifas em solo americano — onde a declaração circula com peso de denúncia internacional. O governo brasileiro testa se consegue isolar o pré-candidato bolsonarista antes de 2026, mas carrega risco: politiza relação comercial e transforma negociação bilateral em campanha antecipada. André Janones (Avante-MG), sempre a vanguarda retórica do governo, chamou Flávio de "vagabundo" — palavrão deliberado, para circular.
Há, no entanto, leitura que calibra o otimismo de ambos os lados. Para que o pedido prospere, seria necessário que autoridades americanas abrissem investigação com base em denúncia de parlamentares brasileiros sem tratado formal de cooperação e sem evidências apresentadas com selo de autenticação. Em 2019, a Lava Jato tentou colaboração com os EUA para investigar Flávio via canais oficiais — e não resultou em indiciamento até hoje. A consequência de segunda ordem é o desgaste diplomático: se o tarifaço realmente for negociado, misturar denúncia criminal com pauta comercial reduz credibilidade de futuras interlocuções.
A próxima rodada é clara. Trump e seus operadores lerão essa acusação. Se Flávio responder, entra em pânico público. Se não responder, fica o silêncio — que também é dado. O custo da negociação comercial futura já subiu. Quando governo vai aos EUA acusar oposição publicamente, o outro lado não negocia no café. Negocia na imprensa. E quando negocia na imprensa, o preço sobe automaticamente.