Deputados da base de Lula viajam aos EUA contra Flávio
Movimento não é diplomacia. É operação de radioatividade internacional.
Segundo o portal Vero Notícias, uma comitiva de deputados da base do governo Lula viajou aos Estados Unidos para se reunir com parlamentares da oposição ao presidente Donald Trump. O objetivo declarado foi solicitar apoio em investigações contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), com foco em operações de lavagem de dinheiro envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O movimento não é sobre justiça. É sobre calendário. Flávio Bolsonaro não é alvo de investigação federal no momento — o caso Master esfriou na Polícia Federal, a PGR não move, a Câmara não mexe. A estratégia do PT é criar radioatividade internacional: se Flávio não cai por Brasília, que caia por pressão de fora, via ativos congelados e estrutura jurídica americana. Os nomes da comitiva reforçam a tese — Pedro Uczai e Pedro Campos comandam o núcleo anti-Bolsonaro; Jandira Feghali e André Janones trazem, respectivamente, legitimidade e agressividade narrativa. O encontro com Bernie Sanders e Sydney Kamlager-Dove não é acaso: são figuras ligadas ao ativismo anticorrupção, não democratas mainstream. A promessa da congressista de encaminhar apuração é o resultado esperado — uma carta de intenção que transforma investigação doméstica em pauta internacional.
O custo para Bolsonaro é imediato. Trump está em seu segundo mandato e não precisa do senador como garantidor político — o isolamento internacional virou moeda forte. Para Lula, o ganho é duplo: mantém a base unida e testa se consegue operar fora de Brasília quando Brasília não funciona. A próxima rodada não é no Plenário. É no Banco Central americano, em reguladores financeiros, em pressão de cadeias de custódia. O sistema funciona. Por enquanto.