Delação de Rodrigo Bacellar detalha mesadas a parlamentares na Alerj
Bacellar não confessou. Reconfigurou o tabuleiro.
Segundo o Diário Carioca Política, o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar firmou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal após dois meses preso. A delação descreve um esquema de pagamentos mensais a deputados estaduais — a Tropa do Bacellar — para garantir governabilidade. O montante a ser devolvido pode chegar a R$ 300 milhões.
Bacellar não é um criminoso arrependido. É um operador que perdeu função e negociou reposicionamento. Preso, virou ativo valioso para a PF: conhece cada fluxo de dinheiro, cada voto comprado, cada secretaria que funcionava como caixa dois. A Tropa não era segredo. Funcionava semi-institucionalizada dentro da Alerj. O que muda é que o mapa do esquema agora está aberto. Cada deputado vira potencial testemunha ou réu. Cada secretário citado enfrenta escolha: colaborar também ou virar alvo de quem colaborou primeiro. Há, no entanto, leitura que pondera o alcance: a versão de Bacellar ainda precisa ser corroborada por provas materiais. Sem lastro documental, a delação é peça que o Ministério Público precisa blindar antes de transformar em ação.
O que Cláudio Castro perde não é uma investigação. Perde o controle da narrativa sobre como seu próprio governo funcionava. A base de apoio não estava sustentada por coerência política, mas por mesada. Isso corrói previsibilidade. Para Castro, a próxima rodada é crítica: segurar o governo com base fragilizada ou ceder estruturas para barganhar com a PF. Bacellar já escolheu. Resta saber quem mais vai.