Delação de Bacellar gera entusiasmo em grupo de Paes, mas riscos são imprevisíveis
A caixa-preta que o grupo Paes quer abrir pode explodir nos dois lados
Redação KADDABRA ·
Segundo o blog Coisas da Política, aliados do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) articulam nos bastidores para criar um clima de pressão na Alerj com a perspectiva de uma delação do ex-presidente da casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil). A aposta é que o rumor, por si só, já desgaste adversários e reposicione lealdades no legislativo fluminense.
A lógica parece clara: o rumor opera como ferramenta de guerra de informação, sem necessidade de acordo firmado. O argumento depende, no entanto, de uma premissa frágil — de que Bacellar é um arquivo passivo, com material apenas contra adversários. Bacellar não é isso. É um operador que passou anos no núcleo duro da política fluminense, negociando com os mesmos atores que hoje celebram sua eventual queda. Em troca pública de farpas, ele já sinalizou que sabe mais do que fala, mencionando conversas com o próprio entorno de Paes.
A consequência de segunda ordem que o entusiasmo ignora é que delações não respeitam alianças. Quando a caixa-preta é aberta, ela revela o mecanismo por inteiro — e não há garantia de que os segredos de Bacellar se limitem à Alerj. A história recente do Rio mostra que delações no calor da briga raramente produzem o efeito esperado por quem as patrocina. O grupo Paes quer uma arma cirúrgica. Bacellar carrega um detonador — e detonadores explodem em todas as direções.
A próxima rodada testa se o entusiasmo de hoje vira arrependimento em semanas. Porque ninguém celebra uma delação que não sabe dimensionar.