Defesa de Flávio pede suspeição de Moraes no STF
Pedido não é defesa. É registro de contaminação antes da derrota.
Segundo o InfoMoney, a defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou no STF pedido de suspeição do ministro Alexandre de Moraes no inquérito que investiga suposta campanha internacional de sanções contra o Brasil. O pedido foi endereçado ao presidente da Corte, Edson Fachin. Os advogados argumentam que a esposa de Moraes prestou serviços jurídicos ao Banco Master e que há conversas entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O timing é cirúrgico. O pedido chega dias antes do julgamento de Eduardo Bolsonaro — pautado para 16 de junho na Primeira Turma — e no mesmo dia em que Moraes liberou o caso para pauta. Flávio conhece a conta: a Turma tem quatro votos contra Eduardo. Antes da derrota, desqualifica o árbitro. A estratégia tem três camadas. Primeiro, usa o precedente de Dias Toffoli, que se afastou da relatoria do caso Master após descobrir conversas com Vorcaro. Se a suspeição não prosperar, o registro fica — a defesa poderá dizer 'o STF rejeitou suspeição irregular'. Terceiro, contamina Fachin: se Moraes sair, o caso vai para o presidente da Corte.
Há consenso de que o pedido é manobra protelatória. A leitura é defensável. Mas o argumento depende de ignorar o conteúdo. A defesa aponta fato verificável: a esposa de Moraes foi contratada pelo Banco Master. Toffoli se afastou do mesmo caso pelo mesmo tipo de vínculo. A diferença é que Toffoli era relator do banco; Moraes não é — foi acionado para incluir Flávio e Bolsonaro em inquérito já existente. A pergunta que a narrativa dominante não faz é se o lastro do pedido é suficiente para tornar o atraso legítimo. Essa resposta ainda não está dada.
O movimento real não é ganhar a suspeição. Flávio perde duas coisas se a Turma rejeitar: o argumento de 'Supremo contaminado' fica queimado, e o sinal que manda é de desespero. O calendário traça a próxima rodada: Eduardo será julgado em 16 de junho. Depois, vem a ampliação do inquérito que inclui Flávio e Bolsonaro. O pedido de hoje não visa ganhar. Visa deixar marcas no caminho.