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Defasagem de custos ameaça 125 mil unidades do MCMV no Norte e Nordeste

Crise não é acidente. É fricção entre repasse federal e inflação que governo já conhecia.

Defasagem de custos ameaça 125 mil unidades do MCMV no Norte e Nordeste
Foto: Reprodução / CNN Brasil

Segundo a CNN Brasil, mais de 125 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida no Norte e Nordeste estão sob risco de paralisação. Estudo do FNNIC e BCB Inteligência em Dados aponta que R$ 14,5 bilhões em investimentos estão ameaçados. O motivo: defasagem entre os repasses federais e o custo real da construção, que explodiu com insumos como o cabo de cobre (+64%) e a tela soldada (+54,1%).

Não é acidente de mercado. É fricção sistêmica entre modelo de repasse federal e realidade inflacionária que o governo já conhecia. O reajuste de 3,53% concedido para grandes municípios do Nordeste é simbolicamente inadequado contra alta real de 14,3% — na Região Norte, o salto foi de quase 36%. O programa funciona como operador de estabilidade em regiões de baixa renda. Quando o teto não acompanha os custos, construtoras começam a calcular se vale a pena continuar. Quando o cálculo vira negativo, abandonam. O governo testa resistência: se absorverem o prejuízo, ganha tempo; se recusarem, ganha justificativa política.

A proposta do estudo — adoção do Índice de Reajuste MCMV FAR (50% INCC-DI, 30% CUB regional, 20% IPCA) — exigiria R$ 2,57 bilhões. A relação de 1:5,67 (cada real preserva R$ 5,67 em obra) é convincente para economistas, mas em ano de aperto orçamentário é custo que comprime outras pastas. O governo não escolhe se vai pagar. Escolhe quando. Agora tenta não pagar. Depois pagará dobrado.