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Cunha: impeachment de Dilma foi condição para Bolsonaro

Ex-deputado lê o tabuleiro que ajudou a montar. Mas a jogada é sobre 2026.

Cunha: impeachment de Dilma foi condição para Bolsonaro
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Redação KADDABRA ·

Em entrevista ao Metrópoles, o ex-deputado Eduardo Cunha afirmou que Jair Bolsonaro não teria chegado à Presidência sem o impeachment de Dilma Rousseff. Segundo Cunha, a mudança de governo em 2016 criou o ambiente político que favoreceu a ascensão da direita.

O que Cunha diz é factual — a reversão de expectativas pós-impeachment reconfigurou o sistema. Mas a declaração não é só análise histórica. É jogada de reposicionamento. Cunha recuperou os direitos políticos em 2024, transferiu domicílio eleitoral para Minas Gerais e pretende disputar uma vaga na Câmara em 2026. Ao se colocar como condição necessária para o fenômeno Bolsonaro, ele se reinscreve no centro da narrativa.

O argumento de que 'sem impeachment não haveria Bolsonaro' isola o fator político-institucional de outras variáveis — crise econômica de 2014-2016, Lava Jato, rejeição ao establishment. Não há série histórica para cravar qual pesou mais. A tese pode estar correta. Mas, formulada por quem jogou aquela partida, serve mais ao momento atual do que à precisão histórica. A próxima rodada é o registro oficial de candidatura.