Classificação de PCC e CV como terroristas eleva custos bancários, diz Eurasia
Medida dos EUA não gera ação militar, mas altera engenharia financeira das facções.
Segundo relatório da consultoria Eurasia Group, divulgado nesta sexta-feira (5), a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos deve elevar os custos de conformidade para bancos brasileiros.
O documento, obtido pelo Estadão, considera 'altamente improvável' qualquer ação militar americana em território brasileiro como consequência direta da medida. O impacto real é sistêmico: bancos com operações internacionais ou que processam transações em dólar precisarão reforçar mecanismos de verificação e compliance. A designação americana impõe restrições mais severas a transações com entidades listadas, congelamento de ativos nos EUA e proibição de negócios para cidadãos e empresas americanas.
O movimento não é sobre tropas. É sobre fluxo financeiro. Ao equiparar PCC e CV a grupos como Estado Islâmico e Al-Qaeda, Washington aciona uma arquitetura de sanções que já opera em outros seis países latino-americanos. O custo para os bancos brasileiros sobe. O custo para as facções, também. A questão deixa de ser se haverá ação militar. Passa a ser até onde a blindagem financeira das organizações resiste à nova calibragem do sistema.