Cedae: reunião, aporte e o conselho que aprovou
Conselho aprovou a regra. Diretor executou o aporte. A pergunta é quem orientou o conselho.
Conforme apurou a TV Globo e repercutiu o portal TempoRealRJ, uma investigação interna da Cedae revelou que representantes do Banco Master estiveram na sede da estatal em maio de 2023, em reunião organizada pelo diretor financeiro Antônio Carlos dos Santos. Um mês depois, Santos foi a São Paulo para novo encontro com Maurício Quadrado, sócio de Daniel Vorcaro — figura com histórico desabonador em órgãos de controle, segundo a comissão de ética.
Vinte dias após o conselho de administração aprovar, em setembro de 2023, uma nova política de aplicações financeiras que incluía o Master no rol de instituições aptas, a Cedae fez um aporte de R$ 200 milhões no banco. Total: cerca de R$ 237 milhões. O relatório interno conclui que a mudança estatutária ocorreu especificamente para viabilizar o investimento — e que o mesmo padrão foi registrado no Rioprevidência, sugerindo articulação do governo estadual. Com a liquidação do Master pelo Banco Central, a Cedae entrou na fila de credores.
A leitura dominante aponta imprudência da diretoria. O argumento depende de uma premissa: que o diretor agiu sozinho, à revelia do conselho. Mas o relatório indica que a nova política foi aprovada justamente pelo conselho — e que a diretoria foi questionada sobre descumprimento de diretrizes, não sobre falta de autorização. A diferença é sutil e decisiva: se o conselho aprovou a regra, a responsabilidade deixa de ser individual e passa a ser de engrenagem. A dúvida que fica não é se houve dolo, mas quantos no conselho assinaram a aprovação e se algum deles recebeu orientação da Casa Civil.