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Cavaliere aprova com folga na Câmara, mas herança política de Paes ainda sustenta o jogo

Aprovações surpreendem aliados. A dúvida é se o capital é do prefeito ou do antecessor.

Cavaliere aprova com folga na Câmara, mas herança política de Paes ainda sustenta o jogo
Foto: Reprodução / TempoRealRJ

Eduardo Cavaliere (PSD), aos 32 anos, assumiu a prefeitura do Rio em março com o ceticismo da base. Dois meses depois, a Câmara autorizou R$ 1,8 bilhão em créditos com apenas oito votos contrários — todos da oposição — e aprovou o projeto da Praça Onze Maravilha sem sustos. Vereadores que antes torciam o nariz agora o chamam de "querido". O placar é folgado, e a interlocução, classificada como surpreendentemente positiva.

Há consenso de que Cavaliere se saiu melhor que o esperado. O argumento depende, no entanto, de uma premissa: que essa governabilidade é mérito exclusivo do sucessor. Eduardo Paes operou anos na Câmara, construiu a rede de acordos e deixou o motor funcionando. Cavaliere herdou o motor. A pergunta é se está pilotando ou apenas pegando carona. Em 2018, Marcelo Crivella também começou com aprovações herdadas de Paes. Dois anos depois, enfrentava uma CPI e um processo de impeachment.

Há ainda uma leitura complementar: o placar largo em projetos polêmicos pode sinalizar que a Câmara está confortável em aprovar agora — porque sabe que o custo político virá depois. A questão deixa de ser se Cavaliere é habilidoso. Passa a ser se o capital herdado dura até setembro, quando os primeiros projetos de autoria própria do novo prefeito começarem a tramitar.