Campanha de Lula tenta atrelar tarifaço de Trump a Flávio Bolsonaro, diz CNN
Jogada eleitoral depende de tese que o próprio PT não conseguiria defender até o fim.
Segundo apuração da CNN, a campanha do presidente Lula (PT) iniciou movimento para associar a ameaça de tarifas dos EUA a produtos brasileiros a uma suposta articulação do senador Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação no PT é que Flávio tenta colher dividendos políticos pela classificação de facções criminosas como terroristas pelos EUA — e que o tarifaço será lido como custo dessa relação.
A jogada é eleitoral legítima e típica. Mas a força da tese depende de uma premissa frágil: que a política tarifária americana responde a articulações políticas brasileiras. A Seção 301 da USTR, que embasa o tarifaço, segue critérios de déficit setorial, não de afinidade ideológica. Não há evidência pública de que a visita de Flávio à Casa Branca ou a classificação do PCC como terrorista tenham alterado a equação comercial. Em 2018, tarifas sobre aço e alumínio atingiram o Brasil por protecionismo doméstico americano — Jair Bolsonaro estava no Planalto e isso não impediu o tarifaço.
A questão deixa de ser se a estratégia funciona. Passa a ser: se a tese petista vingar, ela valida que o Brasil é refém de conexões pessoais com a Casa Branca. Isso fragiliza qualquer discurso de soberania — inclusive o que Lula tenta construir. O tarifaço será menos sobre quem articulou e mais sobre o que não foi construído em diversificação comercial nos últimos 20 anos.