Câmara deve votar acordo Mercosul-Efta até quarta
Votação não é sobre comércio. É sobre calendário como blindagem eleitoral.
Redação KADDABRA ·
Segundo a Folha de São Paulo, a Câmara dos Deputados deve votar até esta quarta-feira (10) o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Efta (Associação Europeia de Livre Comércio), bloco que reúne Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. O tratado, assinado em 2019 e já aprovado no Senado em 2022, depende agora da ratificação na Câmara para entrar em vigor no Brasil. A articulação partiu do senador Nelsinho Trad (PSD) com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), para garantir a votação antes do recesso parlamentar que começa em 18 de julho.
O receio de integrantes do governo e da área diplomática, conforme apurou a Folha, é que um adiamento para depois do recesso coincida com o início da campanha eleitoral de 2026, transformando o tratado em moeda de troca eleitoral. A votação rápida, no entanto, não é sobre comércio exterior — é sobre controle de calendário. Ao forçar a aprovação agora, Trad e Motta fazem três movimentos simultâneos: tiram do tabuleiro um item que geraria fricção desnecessária em ano de pré-campanha, mostram ao governo que a Câmara consegue entregar propostas sem captura por agendas eleitorais, e consolidam Motta como gestor de fluxo — não apenas presidente da Casa. Todas as peças saem ganhando: governo resolve problema, Motta ganha capital de eficiência, PSD registra débito em Brasília.
A próxima variável é a margem da votação. Se passar com folga, o sinal ao mercado é de estabilidade legislativa. Se passar apertado, significa que blocos se reorganizam — e que Motta perdeu previsibilidade em alguma frente. O acordo sai da pauta. O jogo de quem controla quando as coisas acontecem permanece.