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Caiado descarta aliança com Zema em 2026 e reafirma candidaturas separadas

Conversa não é fusão. O recado real é sobre previsibilidade até outubro.

Caiado descarta aliança com Zema em 2026 e reafirma candidaturas separadas
Foto: Reprodução / Revista Oeste

Segundo a Revista Oeste, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) descartou uma aliança com Romeu Zema (Novo) na disputa presidencial de 2026. Em entrevista ao podcast Iron Talks na quarta-feira 3, Caiado afirmou que ambos manterão candidaturas próprias e que as conversas recentes com Zema buscaram "harmonia" no centro-direita — não fusão de campanhas.

A declaração não é ruptura. É mudança de fase. Caiado disse que o objetivo é "não continuarmos com esses desentendimentos" entre candidatos da centro-direita, que não pode "chegar fragmentada no segundo turno". O recado real é de calibragem: quando o atrito público vira custo, a negociação migra do palanque para o bastidor. Zema havia admitido chapa única no fim de março; Caiado confirmou "sentimento" no dia seguinte. Agora ambos recuam. Não é incoerência — é ajuste de rota. O arranjo funcional para os três operadores (Caiado, Zema, Bolsonaro) é cada um crescer no primeiro turno sem agredir o outro, e negociar união depois de outubro.

Há consenso de que o antipetismo organiza a centro-direita. O argumento depende de uma premissa: que a rejeição ao PT é suficiente para gerar convergência programática entre os três. A história sugere cautela — em 2018, a união em torno de Bolsonaro rachou no governo; em 2022, parte do centro negociou com Lula antes do segundo turno. Caiado, Zema e Bolsonaro representam projetos diferentes — agronegócio institucional, liberalismo fiscal e radicalização — que o antipetismo sozinho não resolve. Quanto mais repetem que o inimigo é Lula, mais adiam o debate sobre o que vem depois.

O sistema funciona, por enquanto. Cada um constrói seu território sem agredir o outro. A questão deixa de ser se vão se unir. Passa a ser se a fragmentação controlada vira desvantagem quando PT forçar segundo turno com um candidato não-Lula. Até lá, a centro-direita não escolhe um líder — escolhe quem consegue sustentar previsibilidade até outubro.