Brasil atrai onda de fusões em minerais críticos; transações crescem 56%
País tem a oferta. Falta a cadeia.
Segundo levantamento da KPMG, as transações envolvendo minerais críticos no Brasil cresceram 56% em 2025. O movimento acompanha a corrida global por insumos essenciais para baterias e defesa, com EUA e Europa buscando alternativas à China, maior processadora mundial.
O interesse internacional tem impulsionado negócios bilionários e ampliado a procura por projetos em operação no Brasil, que possui reservas estratégicas de nióbio, grafita, lítio e terras raras. Ao menos três grandes fusões envolvendo ativos brasileiros foram anunciadas por grupos estrangeiros. Empresas canadenses e australianas lideram a movimentação, com aquisições de participações em mineradoras de médio porte.
Apesar do forte apetite, o setor enfrenta entraves. A falta de uma cadeia industrial completa no Brasil — a maior parte do beneficiamento ainda é feito na China — limita o valor agregado dos projetos. Processos de licenciamento ambiental e regras tributárias são apontados por investidores como fatores de atrito. O Ministério de Minas e Energia afirmou que estuda um marco regulatório específico para minerais estratégicos.
O país tem a oferta. Falta a cadeia. E a corrida segue — mas dependerá da tramitação de novos marcos legais e da agilidade dos órgãos ambientais.