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Auditoria da Cedae aponta rombo de R$ 222 mi com Banco Master

Relatório da Globonews. O calote não foi só um erro de gestão.

Auditoria da Cedae aponta rombo de R$ 222 mi com Banco Master
Foto: Reprodução / Revista Oeste

Conforme apurou a Globonews, uma auditoria interna da Cedae revelou perda superior a R$ 220 milhões em aplicações no Banco Master. O relatório mostra que as regras internas da estatal foram alteradas para permitir aportes mesmo quando o banco não atingia a classificação de risco mínima exigida. O caso foi encaminhado ao TCE-RJ e ao Ministério Público.

A narrativa dominante é de gestão temerária: em julho de 2023, o Master tinha nota BBB- de uma única agência de rating; a política da Cedae exigia A- de duas agências. A diretoria financeira, então, promoveu mudanças nas normas para criar faixas de risco que aceitassem a nota do banco. As alterações foram aprovadas em setembro de 2023. Alertas internos foram ignorados. Quando a Cedae tentou resgatar os recursos, em setembro de 2025, o banco já tinha dificuldades de liquidez. Em novembro, o Banco Central decretou liquidação extrajudicial.

Há, no entanto, um ruído de fundo que a denúncia não capta. O Banco Central monitorava o Master como 'em atenção especial' desde 2024. O mercado precificava os CDBs do banco com prêmios de risco elevados — sinal de que investidores institucionais também estavam expostos e cientes do perigo. A alteração da política de investimento seguiu rito formal, com aprovação de comitês e atas. Não se trata de inocentar a diretoria da Cedae. Os indícios de negligência e ocultação de reuniões são fortes. Mas personalizar o erro em Antonio Carlos dos Santos, ex-diretor financeiro, deixa de lado o contexto sistêmico: por que o regulador passou meses sem intervir? Quantas outras empresas e fundos de pensão estão na lista de credores do Master, com políticas igualmente flexíveis, e ainda não foram auditadas?

A história tende a eleger um vilão. O mecanismo que o permitiu costuma ficar no ralo.