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AtlasIntel: 53,1% aprovam classificação de facções como terroristas pelos EUA

Apoio popular revela cansaço. Dilema de soberania, não.

AtlasIntel: 53,1% aprovam classificação de facções como terroristas pelos EUA
Foto: Reprodução / Vero Notícias

De acordo com o portal Vero Notícias, 53,1% dos brasileiros aprovam a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Outros 44,7% desaprovam. O número é alto, mas não conta a história completa.

A pesquisa AtlasIntel, com 1.273 entrevistados e margem de três pontos, registra que 47,7% dos entrevistados avaliam a medida como risco à soberania nacional. O brasileiro quer ação contra o crime, mas não ao custo de perder controle sobre o território. O dilema não é teórico: em 2020, o governo Bolsonaro resistiu a classificar o Hezbollah como terrorista exatamente por receio de que Washington ampliasse presença militar na Amazônia.

O argumento de que a classificação desorganiza o financiamento das facções depende de uma premissa: que a lista americana tem efeito prático sobre estruturas locais. O histórico é ambíguo. O Hezbollah está na lista desde 1997 e continua operando na América Latina. As FARC foram incluídas em 1997 e só desapareceram após acordo de paz, não por pressão externa. A lista opera como instrumento de política externa, não como substituto de inteligência territorial.

A consequência de segunda ordem: a classificação americana pode gerar pressão para que o Brasil adote internamente a mesma tipificação penal. Criar uma lei de terrorismo doméstico com lastro jurídico frágil pode criminalizar movimentos sociais e comunidades periféricas. O apoio popular mede humilhação com a violência. O que define o resultado é o comportamento dos fluxos financeiros das facções nos próximos 12 meses.