Apoio maciço à CPI do Master esbarra em Alcolumbre
Maioria de 71% no Congresso. Vitrine que esconde vácuo político.
Segundo levantamento da CNN, 423 parlamentares apoiam a criação de CPIs ou CPMIs para investigar o caso Banco Master — 71,2% do Congresso. No Senado, 64 dos 81 senadores assinaram requerimentos, superando o mínimo necessário. Na Câmara, 359 deputados manifestaram apoio.
O número impressiona. Mas não é poder. É dispersão com 423 caras. As assinaturas caíram porque ninguém perdeu politicamente ao assinar. O custo era zero. Quando custa zero, até indiferente assina. Quando indiferente assina em volume, o movimento ganha cara de coalizão. Não é coalizão. É vácuo. Nenhum bloco foi a Alcolumbre com acordo prévio. Nenhum governista ofereceu contrapartida. Nenhum oposicionista acionou máquina regimental.
O presidente do Congresso segura a instalação com uma resposta institucional — "cabe à Presidência definir" — que é, na verdade, leitura precisa do tabuleiro. Se houvesse bloco de verdade, a pressão seria material: votos, pauta, agenda. O que há é assinatura solta. São coisas diferentes. Cenário comparável à CPI do Genro em 2021: maioria assinou, Baleia Rossi não instalou, ninguém derrubou porque ninguém tinha bloco.
A próxima rodada testa se alguém quer a CPI ou apenas quer manter a assinatura como cobertura. Se houvesse vontade de fato, haveria acordo: você abre e a gente garante que não vira arma contra seu partido. Isso é poder. Assinatura dispersa não é. Por enquanto, Alcolumbre aguenta o portão — porque o portão, na verdade, ninguém quer derrubar de verdade.